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quarta-feira, 16 de maio de 2018

O sexo e os sentidos em adultos mais velhos

O sexo e os sentidos na terceira idade
Muito do sexo depende dos cinco sentidos. Vendo o sorriso de nosso parceiro, ouvindo sua voz, cheirando a perfume ou colônia - todos estes são exemplos de estímulos sensoriais que podem desencadear o desejo sexual.

A função sensorial pode começar a diminuir à medida que envelhecemos. Podemos ter dificuldades auditivas ou ter problemas de visão. Essas mudanças afetam a atividade sexual?

Uma pesquisa recente no Journal of Sexual Medicine sugere que sim. Em um estudo com 3.005 homens e mulheres entre as idades de 57 e 85 anos, os cientistas descobriram que as pessoas com disfunção sensorial eram menos propensas a serem sexualmente ativas. Esse foi o caso, mesmo quando os pesquisadores consideraram fatores como idade, gênero, saúde mental, saúde física e disponibilidade de parceiros. E quanto mais questões sensoriais as pessoas tivessem, menos provável que elas estivessem fazendo sexo regularmente.

No entanto, isso não significa que as pessoas com disfunção sensorial não foram motivadas a fazer sexo. A maioria ainda achava que o sexo era importante e ainda tinha pensamentos sexuais. Além disso, os problemas sensoriais não parecem afetar a satisfação do relacionamento, emocional ou fisicamente.

Para os participantes que eram sexualmente ativos, a disfunção sensorial não afetava a frequência com que faziam sexo ou as atividades em que se envolviam (como sexo preliminar, sexo oral e relação vaginal).

Considerando o papel que os sentidos desempenham na vida sexual poderia ajudar os médicos que trabalham com pacientes mais velhos.

"A sexualidade é importante para o envelhecimento bem sucedido, e os adultos mais velhos continuam a dar importância às relações sexuais, portanto, compreender a perda sensorial e reduzir seus efeitos prejudiciais melhorará a função sexual e aumentará a qualidade de vida dos idosos", segundo os autores do estudo.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

'Meus orgasmos são melhores aos 80 anos': a sexualidade feminina na terceira idade

Essas três britânicas falaram com sinceridade sobre a sexualidade na terceira idade
Joyce, Shirley e Dee são três britânicas de 82, 61, 69 anos, respectivamente. Ao programa Daily, da rádio BBC 5 Live, elas falaram sobre um tema que é um tabu quase universal: a sexualidade na terceira idade.

Uma enquete realizada pelo próprio programa no Reino Unido sugere que pessoas entre os 60 e 70 anos têm relações sexuais várias vezes por mês.

Além disso, segundo o levantamento, esse número se mantém alto quando as pessoas envelhecem: uma em cada seis pessoas de mais de 70 anos diz que faz sexo várias vezes ao mês.

A seguir, a BBC reuniu alguns dos momentos mais interessantes do programa.

Como são os orgasmos quando você é mais velho?

Essa foi uma das perguntas que a apresentadora do programa, Emma Barnett, fez às três britânicas. Elas se mostraram quase unânimes:

"Provavelmente melhor", respondeu Shirley. "Eu também acho", diz Dee. Melhor aos 80 que aos 20 anos de idade? Joyce respondeu, convicta: "Sim, acredito de verdade que é melhor".

Para elas, uma das razões que explicam o prazer maior na terceira idade é o conhecimento do próprio corpo. Segundo Dee, com a velhice, ela passou a se preocupar menos com a opinião dos outros. "Eu já cresci, já cometi meus erros e já aprendi as lições. Você se sente mais confortável com a pessoa que é. Antes eu não tinha tanta confiança em mim mesma", diz ela.

Com a idade, "você controla mais o que quer", diz Shirley.

As três concordaram: o conhecimento do próprio corpo ajuda na busca pelo prazer e a ter confiança de dizer e "mostrar-se" ao parceiro. Além disso, elas dizem que hoje são menos estressadas e não têm preocupações com a gravidez.

Imagem: Getty Images
Quais as diferenças com as relações sexuais de quando se foi mais jovem?

"Nós rimos muito. Há muito rangidos e gemidos, e também posições desconfortáveis. Mas nós tratamos com humor", diz Joyce, que vive com seu marido, também octogenário. Ela conta que os dois chegaram a fazer sexo duas vezes por dia.

"Não tem mais aquela ansiedade de se fazer um show", brinca ela. Segundo Joyce, os jovens enxergam o sexo como algo que gira em torno da beleza, do glamour, de barrigas definidas e pele perfeita. "Quando você fica mais velho, o que importa é o contato humano."

As três concordam quando falam sobre prazer e sensibilidade. "A sensualidade não muda com a idade. A excitação e o prazer são os mesmos. É bom da mesma forma, talvez com os níveis de hormônios mais baixos", diz Joyce. "Sem dúvida, a grande diferença é o tempo. Você tem mais tempo quando está aposentado".

Shirley não tem um parceiro desde o ano 2000, mas diz ter uma vida plena e feliz. "Eu me masturbo", afirma. Ela diz que não sente falta de um companheiro, porque não encontrou a pessoa certa.

"Posso dar prazer a mim mesma e não preciso fazer concessões", diz. Ela conta que chama a atenção dos homens, mas que não está interessada em sexo rápido e selvagem, como quando era jovem. "Não estou interessada em soluções rápidas. Quero uma vida plena", explica.

Como se sentiria ao ficar nua na frente de alguém pela primeira vez aos 70 anos?

"Talvez eu precise tomar um par de taças de vinho", brinca Dee. Depois, no entanto, ela conta que disse a si mesma "Quer saber, Dee? Está tudo bem. Não é perfeito, você tem sua barriga e suas rugas, mas está tudo bem."

Ela acrescenta: "E se a pessoa não pode ver o quanto sou boa, o problema é dela".

Shirley aponta que as mulheres jovens têm muitas inseguranças sobre sua aparência. "Isso melhora com os anos", diz.

Uma mensagem para as jovens:
'o espírito segue com 18 anos'

"À medida que você envelhece, continua se sentindo jovem, muito jovem, isso não muda", diz Joyce. "Quando você tem 80 é como se tivesse 18, só que com mais rugas e peças raras no corpo. Mas você ainda é a mesma pessoa."

Ela dá uma dica sobre as rugas: "Eu diria às jovens que não se preocupem com as rugas. A atração está em como você é, no brilho dos olhos e na alegria de viver que você irradia. E isso dura até os 90".

"Talvez depois dos 90 você fique um pouco debilitada", afirma.

Shirley discorda: "Talvez não". Sorrindo, Joyce agora muda de opinião: "É, talvez não".

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O sexo na velhice vai depender do que foi construído ao longo da vida

Foto: Cristina Werner / Crédito: Mariza Tavares

Todos sabemos como o sexo está relacionado a muitos aspectos da saúde e do bem-estar do ser humano, mas, em pleno século 21, continua a ser um tabu na velhice. “Ainda convivemos com a mentalidade que recrimina idosos interessados em sexo, chamando-os de ‘assanhados’. É um direito negado pela sociedade e até pela família”, diz a psicóloga, sexóloga e professora Cristina Werner. Ela é também presidente do Instituto de Pesquisas Heloisa Marinho e vice-presidente da Associação Brasileira de Tratamento das Ofensas Sexuais. Entre 2008 e 2010, foi presidente da Associação de Terapia de Casal e Família do Estado do Rio de Janeiro.


A doutora Cristina é enfática ao apontar a importância de uma vida sexual saudável depois dos 60 anos e garante: “todos somos sensuais, é uma questão de atitude, de postura. A parceria afetivo-sexual é um poderoso remédio contra o isolamento e a solidão, mas quando me perguntam qual é receita para transar bem aos 60, eu respondo que vai depender de como se transou aos 50, aos 40... A sexualidade prazerosa é uma construção diária e, na velhice, vai depender do que foi construído ao longo de toda a vida. Uma das coisas que mais afetam negativamente a sexualidade é o cansaço e o sono, junto com a ansiedade pela sobrevivência no dia a dia acelerado que vivemos atualmente. Só que as necessidades sexuais são prementes, temos que arranjar tempo para isso. Se formos esperar o momento perfeito para fazer sexo, vai ficar ainda mais difícil. Sugiro agir de uma forma lúdica, sem expectativas tão altas, apenas porque surgiu a oportunidade. Há boas chances de a pessoa se surpreender e se divertir”, ela aconselha.

A psicóloga lembra que, com filhos criados e sem o perigo de engravidar, é possível viver uma sexualidade mais liberada e até com novos prazeres: “a sexualidade vai além da cópula, não é apenas a introdução de um pênis. E não se pode esquecer que a pele é o maior órgão do corpo, capaz de nos dar enorme prazer”. Reconhece o que chama de “aumento da invisibilidade” da mulher mais velha, mas diz que nada impede que ela se satisfaça sexualmente: “acontece também que muitas mulheres, quando entram no período do climatério e depois chegam à menopausa, decidem pendurar as chuteiras principalmente porque sua vida sexual foi ruim. No entanto, este pode ser um período libertador”.

Entre os fatores que diminuem a atividade sexual, ela cita a falta de interesse do companheiro ou companheira; o estado de saúde em geral; a disfunção erétil no homem; a dispareunia (dor na penetração) da mulher; efeitos colaterais de medicamentos; e a perda de privacidade – cada vez mais comum em famílias nas quais diversas gerações voltaram a conviver com o agravamento da crise econômica. Os homens enfrentam uma ereção mais flácida, demoram mais tempo para alcançar o orgasmo e a ejaculação se retarda e é menos intensa. Para as mulheres, além de o processo que garante a vascularização e a lubrificação do canal vaginal demorar de cinco a dez minutos (enquanto os homens levam de um a cinco minutos para estarem prontos para o ato), a vagina torna-se menos elástica e sua mucosa mais fina (leia também sobre atrofia e secura vaginal). Daí a importância de caprichar nas preliminares e utilizar algum tipo de gel lubrificante à base de água.

Ainda há muito a fazer, afirma a sexóloga, a começar pela educação de meninos e meninas focada na igualdade de gênero: “educar para a estética da alma, e não do corpo”, resume. Entretanto, avalia que a sociedade já deu passos importantes, como a adoção por casais homoafetivos, um direito negado a gerações passadas: “a prole pode ser uma rede de apoio da maior relevância, imaginem quantos homossexuais mais velhos ficaram inclusive apartados de suas famílias e não puderam construir essa rede de afeto?”.