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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Números de pessoas idosas com infecções sexualmente transmissíveis está aumentando

Número de idosos diagnosticados com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) está em alta, é o que revelaram os números.

Ilustração 3D de bactérias da sífilis

Na Inglaterra foram diagnosticados 14% a mais de ISTs em 2017 do que em 2016 nas pessoas com mais de 65 anos.

Com os aplicativos de namoro, melhor saúde e drogas, como o Viagra, que as mantém sexualmente ativas por mais tempo, até mesmo pessoas com mais de 90 anos estão sendo diagnosticadas com as doenças.

Os números da Public Health England mostraram que o número de pessoas com mais de 65 anos que pegaram ISTs comuns aumentou de 1.411 em 2016 para 1.608 em 2017.

A sífilis, uma das infecções menos comuns, foi três vezes mais comum entre as pessoas com mais de 65 anos no ano passado do que no ano anterior, informou o Express.

Enquanto isso, o número de pessoas na mesma faixa etária que contraiu a gonorreia mais do que dobrou e os casos de clamídia aumentaram em 49%.

Outras infecções incluídas nos números foram herpes genital, que aumentou em 36 por cento e verrugas genitais.

"Embora a maioria dos pacientes que vemos na clínica sejam mais jovens, não é incomum ver pessoas na faixa dos 60 ou 70 anos", disse o Dr. Mark Lawton, consultor de saúde sexual e membro da Associação Britânica para Saúde Sexual e HIV.

“Na verdade, o paciente mais velho que eu já vi tinha 91 anos e ele ainda estava desfrutando de uma vida sexual saudável.

"É importante lembrar que a idade não o torna imune a ISTs, então usar preservativos e fazer o teste ainda é importante".

Os números vêm depois que um especialista alertou em outubro que mais pessoas estão recebendo DSTs devido a um aumento no uso de aplicativos de namoro online.

Aplicativos como o Tinder e o Grindr são acusados ​​de tornar mais fácil para as pessoas fazer sexo casual e alternar rapidamente entre parceiros.

O Dr. Lawton disse no passado que isso não é algo que se limita apenas aos jovens.

Ele disse ao Sun em 2016: "As pessoas que podem ter perdido um parceiro podem sair e entrar em novos relacionamentos depois de 30 ou 40 anos. Esse fenômeno sem dúvida está sendo acelerado pelo fácil acesso a aplicativos de namoro."

O Dr. Olwen Williams, presidente da Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV, disse que os números mostram um "aumento genuíno" nas ISTs - em vez de apenas mais pessoas sendo testadas.

Ele disse à BBC: “A frequência de conexões de aplicativos e aplicativos de namoro usados ​​como uma espécie de meio de acesso à atividade sexual parece ter aumentado significativamente."

O que podemos dizer sobre a mistura sexual e a rede sexual é que as coisas mudaram consideravelmente.

"Certamente, na minha carreira, nunca vi tanta gonorreia ou sífilis na minha região."

Ser capaz de trocar de parceiro sexual rapidamente e encontrar estranhos na internet significa que as pessoas são mais propensas a espalhar infecções antes de serem diagnosticadas, disse o especialista.

E também pode tornar mais difícil entrar em contato com parceiros anteriores para avisá-los quando as pessoas forem diagnosticadas.


terça-feira, 22 de agosto de 2017

'Meus orgasmos são melhores aos 80 anos': a sexualidade feminina na terceira idade

Essas três britânicas falaram com sinceridade sobre a sexualidade na terceira idade
Joyce, Shirley e Dee são três britânicas de 82, 61, 69 anos, respectivamente. Ao programa Daily, da rádio BBC 5 Live, elas falaram sobre um tema que é um tabu quase universal: a sexualidade na terceira idade.

Uma enquete realizada pelo próprio programa no Reino Unido sugere que pessoas entre os 60 e 70 anos têm relações sexuais várias vezes por mês.

Além disso, segundo o levantamento, esse número se mantém alto quando as pessoas envelhecem: uma em cada seis pessoas de mais de 70 anos diz que faz sexo várias vezes ao mês.

A seguir, a BBC reuniu alguns dos momentos mais interessantes do programa.

Como são os orgasmos quando você é mais velho?

Essa foi uma das perguntas que a apresentadora do programa, Emma Barnett, fez às três britânicas. Elas se mostraram quase unânimes:

"Provavelmente melhor", respondeu Shirley. "Eu também acho", diz Dee. Melhor aos 80 que aos 20 anos de idade? Joyce respondeu, convicta: "Sim, acredito de verdade que é melhor".

Para elas, uma das razões que explicam o prazer maior na terceira idade é o conhecimento do próprio corpo. Segundo Dee, com a velhice, ela passou a se preocupar menos com a opinião dos outros. "Eu já cresci, já cometi meus erros e já aprendi as lições. Você se sente mais confortável com a pessoa que é. Antes eu não tinha tanta confiança em mim mesma", diz ela.

Com a idade, "você controla mais o que quer", diz Shirley.

As três concordaram: o conhecimento do próprio corpo ajuda na busca pelo prazer e a ter confiança de dizer e "mostrar-se" ao parceiro. Além disso, elas dizem que hoje são menos estressadas e não têm preocupações com a gravidez.

Imagem: Getty Images
Quais as diferenças com as relações sexuais de quando se foi mais jovem?

"Nós rimos muito. Há muito rangidos e gemidos, e também posições desconfortáveis. Mas nós tratamos com humor", diz Joyce, que vive com seu marido, também octogenário. Ela conta que os dois chegaram a fazer sexo duas vezes por dia.

"Não tem mais aquela ansiedade de se fazer um show", brinca ela. Segundo Joyce, os jovens enxergam o sexo como algo que gira em torno da beleza, do glamour, de barrigas definidas e pele perfeita. "Quando você fica mais velho, o que importa é o contato humano."

As três concordam quando falam sobre prazer e sensibilidade. "A sensualidade não muda com a idade. A excitação e o prazer são os mesmos. É bom da mesma forma, talvez com os níveis de hormônios mais baixos", diz Joyce. "Sem dúvida, a grande diferença é o tempo. Você tem mais tempo quando está aposentado".

Shirley não tem um parceiro desde o ano 2000, mas diz ter uma vida plena e feliz. "Eu me masturbo", afirma. Ela diz que não sente falta de um companheiro, porque não encontrou a pessoa certa.

"Posso dar prazer a mim mesma e não preciso fazer concessões", diz. Ela conta que chama a atenção dos homens, mas que não está interessada em sexo rápido e selvagem, como quando era jovem. "Não estou interessada em soluções rápidas. Quero uma vida plena", explica.

Como se sentiria ao ficar nua na frente de alguém pela primeira vez aos 70 anos?

"Talvez eu precise tomar um par de taças de vinho", brinca Dee. Depois, no entanto, ela conta que disse a si mesma "Quer saber, Dee? Está tudo bem. Não é perfeito, você tem sua barriga e suas rugas, mas está tudo bem."

Ela acrescenta: "E se a pessoa não pode ver o quanto sou boa, o problema é dela".

Shirley aponta que as mulheres jovens têm muitas inseguranças sobre sua aparência. "Isso melhora com os anos", diz.

Uma mensagem para as jovens:
'o espírito segue com 18 anos'

"À medida que você envelhece, continua se sentindo jovem, muito jovem, isso não muda", diz Joyce. "Quando você tem 80 é como se tivesse 18, só que com mais rugas e peças raras no corpo. Mas você ainda é a mesma pessoa."

Ela dá uma dica sobre as rugas: "Eu diria às jovens que não se preocupem com as rugas. A atração está em como você é, no brilho dos olhos e na alegria de viver que você irradia. E isso dura até os 90".

"Talvez depois dos 90 você fique um pouco debilitada", afirma.

Shirley discorda: "Talvez não". Sorrindo, Joyce agora muda de opinião: "É, talvez não".

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Viagra, apps de namoro e menopausa contribuem para avanço do HIV entre mulheres acima de 60 anos


A aposentada Luiza (nome fictício) tem 68 anos e sempre priorizou hábitos saudáveis. Alimentação balanceada, caminhadas e aulas de dança faziam parte da sua rotina diária. Até ano passado, ela se orgulhava de não tomar nenhum remédio, "nem para controlar níveis de colesterol, muito menos para diabetes".

Mas as coisas mudaram depois de um breve relacionamento, o primeiro em 15 anos de viuvez, durante o qual Luiza contraiu HIV.

Essa é uma história menos incomum do que parece. De acordo com dados do Ministério da Saúde, apesar de ter caído em quase todas as faixas etárias nos últimos dez anos, a taxa de detecção do vírus entre as mulheres apresentou um aumento de 24,8% no grupo com mais de 60 anos.

Em 2005, essas mulheres representavam 2,9% do total de pacientes diagnosticadas com HIV. Em 2015, eram 6,4%.

Luiza conheceu Manoel, de 62 anos, em bailes e competições de dança para terceira idade. Também aposentado, ele tinha saído de um relacionamento muito longo quando os dois começaram a namorar. Mas a relação não engatou. Poucos meses depois do início, Luiza decidiu acabar o relacionamento. O porquê nem ela sabe.

"Talvez por não saber conviver com outra pessoa depois de tanto tempo sozinha. Ou talvez por não estar apaixonada."

Mas com certeza o fim não foi pela recusa sistemática de Manoel em usar preservativo.

"O jovem que nasceu depois dos anos 80 já iniciou a sua vida sexual sabendo da existência e da necessidade da camisinha. Mas a pessoa acima dos 60 anos teve sua iniciação sexual e grande parte da sua vida ativa sem o preservativo. Então, para eles é muito mais difícil de se acostumar", analisa a psicóloga e gerente operacional do Departamento de DSTs/Aids da Paraíba, Ivoneide Lucena.


Viagra, aplicativos e menopausa

Os idosos hoje vivem uma vida muito mais ativa do que antes do surgimento da Aids.

Por um lado, as drogas para disfunção erétil, como o Viagra, possibilitam uma vida sexual mais longa para o homem. Por outro lado, a mulher que já passou pela menopausa acredita que, por não correr riscos de uma gravidez indesejada, o uso da camisinha se torna desnecessário. Há ainda a popularização dos aplicativos de namoro, permitindo que pessoas se conheçam e se relacionem com mais facilidade.

A tudo isso, soma-se o fato de parte da população ainda acreditar que só são suscetíveis ao vírus aqueles que no passado eram conhecidos como "grupo de risco", ou seja, homossexuais, profissionais do sexo e viciados em drogas.

Pensando assim, muita gente se expõe ao contágio, aumentando cada vez mais o número de heterossexuais soropositivos, por exemplo.

Dentre esses heterossexuais, a mulher está mais propensa à contaminação do HIV. O ginecologista Salviano Brito explica que isso se deve à anatomia: "A mucosa da vagina funciona como uma esponja, tornando mais fácil a contaminação de doenças, seja por vírus, bactéria ou fungo".

Ele lembra ainda que durante o ato sexual é comum acontecerem lesões no órgão, potencializando os riscos de contágio.

Para Luiza, porém, nada disso era novidade, visto que ela havia trabalhado na área de saúde por décadas antes de se aposentar. Então, o que faltou?

"Nada. Sobrou confiança. Fui casada por 32 anos e nunca tive outro relacionamento, nem antes e nem depois. Inocente, achei poderia confiar."



Diagnóstico

Pouco depois do fim do namoro, em meados de 2016, Luiza foi hospitalizada com desidratação, anemia e desnutrição.

Ao fim de 20 dias, ainda debilitada, ela recebeu alta com o diagnóstico de depressão e gastrite. Nessas quase três semanas, a aposentada passou por inúmeros exames, menos o de HIV. "Nenhum médico pediu."

Um mês depois, para verificar se a anemia havia diminuído, Luiza voltou ao hospital. A filha dela, Carolina, de 35 anos, pediu que o teste de HIV fosse feito, mas "só por protocolo".

Um dia depois de pegar o resultado, que deu positivo, e, ainda sem acreditar, Carolina recebeu um telefonema da irmã de Manoel, comunicando o falecimento do irmão. Durante a ligação, a ex-cunhada da mãe comentou que ele era soropositivo.

Carolina não tinha mais dúvida, Luiza havia sido contaminada pelo ex-namorado. "Minha mãe, com quase 70 anos de idade, HIV positivo. Aquilo era inacreditável! Precisei de três dias para conseguir conversar com ela", conta a filha, que tinha na reação da mãe sua maior preocupação.

Quando se recuperou do choque, Carolina decidiu conversar com a mãe, inicialmente sobre a notícia de que Manoel havia falecido e de que ele era soropositivo.

"Eu entendi logo e pensei: HIV? Era só o que me faltava", relata Luiza. Carolina apenas confirmou com o resultado dos exames.


Recomeço

Mãe e filha passaram a lidar com a culpa. Da parte de Carolina, por não ter alertado Luiza sobre os riscos. Da parte de Luiza, por ter se deixado acreditar em um estranho.

A família, então, foi em busca de informação - o dia a dia das duas passou a incluir médicos, remédios e terapias.

"Foi então que vimos que era mais comum do que imaginávamos", conta Carolina. "Nós até encontramos conhecidos nos corredores de postos de apoio, buscando comprimidos ou assistindo palestras. E, principalmente, muitos idosos", completa.

Mas o aumento dos diagnósticos de HIV na terceira idade existe e é bem maior do que se imagina. Segundo relatório divulgado recentemente pela OMS (Organização Mundial de Saúde), 40% de todas as pessoas contaminadas pelo vírus no mundo, cerca de 14 milhões, ainda não sabem.

"Para cada caso notificado, cerca de cinco continuam desconhecidos. Nós trabalhamos com dados que apontam a direção do problema, mas, na verdade, a abrangência da contaminação vai mais longe do que se tem conhecimento", alerta Ivoneide Lucena.


Desafios

Passados oito meses do diagnóstico, Luiza está tomando a medicação antiretroviral diariamente, assim como outras 18 milhões de pessoas em todo mundo. Ela comemora o fato de não ter tido nenhum efeito colateral e mais do que nunca mantém a rotina saudável.

Essa disciplina, segundo o infectologista Tarquino Erastides, é peculiar à idade. "Mesmo com HIV positivo, os jovens pensam que são imortais. Os idosos já perderam essa ilusão. Mais do que viver, eles querem sobreviver."

Hoje, o maior desafio de Luiza, e de tantas outras idosas, é superar o estigma de que o HIV é uma sentença de morte. Para isso, o atendimento psicológico é fundamental.

"O mundo feminino, principalmente nessa idade, convive pouco com a liberdade sexual. Ao se depararem com um diagnóstico positivo, as idosas se sentem culpadas e imediatamente se vinculam à imagem de tragédia, que caracterizou o descobrimento do vírus nos anos 80", afirma a psicóloga Maria Teresa Goyatá, que acompanha o tratamento de Luiza em um Centro de Referência em HIV/Aids, em Brasília.

Segundo ela, após alguns meses de tratamento, a saúde melhora consideravelmente e elas percebem que é possível ter uma vida normal sendo soropositivo. Investir na autoestima e na resiliência da paciente é a parte seguinte da estratégia.

"Por mais que a equipe médica ajude, se a idosa não reagir e assumir as reponsabilidades, o HIV se torna uma doença fatal."

Luiza preferiu não dizer o nome real ou ser fotografada - por isso, sua filha e o ex-namorado também receberam nomes fictícios nesta reportagem. "Só quero alertar as outras mulheres e ficar em paz."

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/geral-39387128